Código do Torcedor

A pedido do Atlético, os dirigentes dos três clubes mineiros vão se reunir com as “autoridades mineiras competentes” para discutir a possibilidade da volta das bandeiras no Mineirão. O presidente do Atlético quer ver a torcida do Galo balançando as bandeiras no Mineirão.
Ainda segundo a notícia, destas bem mal escritas, o Atlético acredita na concordância “destas autoridades” -a tais “autoridades mineiras competentes”.
Talvez elas façam uma concessão. Mas a tendência é manter um código rígido para melhorar o comportamento dos torcedores (esses fanáticos!) nos estádios.
Uma proposta simples de código a ser adotado nos estádios “tão logo seja possível”:
1) Fica proibido o torcedor entrar no Mineirão com bandeira do seu clube;
2) Fica mantida a proibição do uso de bebida alcoólica no estádio -a proibição é restrita aos torcedores das arquibancadas.
3) Fica proibido xingar o juiz de fedaputa -a mãe dele não tem culpa de ele não ter aprendido a jogar bola e ter que ser juiz.
4) Fica suprimido do Hino do Atlético o verso “Galo Forte, Vingador” por incitar a violência -o verso deve ser substituído por “Galo Forte, Beijador”.
5) Dentro ou fora do estádio, inclusive na imprensa, fica proibido o uso da expressão “mala preta” que passa a ser substituída por “mala branca” -fica entendido que a primeira expressão é uma manifestação odiosa de racismo. No máximo será admitida a expressão “mala loura”.
6) Fica proibido a torcida chamar o técnico de sua própria equipe de burro, quando fizer uma substituição errada -está decidido que ele come capim porque gosta, não porque seja um quadrúpede de orelhas grande e cabeça dura.
7) O primitivo apito usado pelos juízes deve ser substituído por uma flauta -preferencialmente doce.
8) Nenhum jogador poderá chutar uma bola no sentido ascendente em ângulo superior a 10º de inclinação e com força superior a 10kg, para segurança do torcedor.
9) Fica terminantemente proibido a torcida gritar olé quando seu time estiver ganhando por mais de três gols do adversário, quando o jogo estiver sendo transmitido por rádio ou televisão, ficando caracterizada a submissão da torcida da outra equipe a constrangimento público.
10) Recomenda-se ao torcedor a ficar em casa e ver o jogo que quiser pelo Premiere FC. Quem, em face da crise, não possa assinar a Sky, uma alternativa alegre, descontraída e responsável é o Caixa na Rádio Itatiaia -não há nenhum registro nos órgãos de Defesa do Consumidor de que ele tem alterado o resultado de algum jogo…

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Preconceito

Eu sempre disse com orgulho que não sou racista, não tenho preconceitos e não discrimino nada, nem ninguém. E, sinceramente, eu repetia isto tanto que até eu mesmo passei a acreditar. E com muitas histórias para contar, além de razões fundadas para ser um ente de outro planeta, que não se criou no meio destas penimbas culturais.
Pra começo de tudo, eu nasci pobre -além de pelado, careca e sem dente como todo mundo. Trabalho desde os cinco, seis anos de idade, para ajudar minha mãe a não deixar faltar o que comer para ela, eu e meus dois irmãos. Logo, nunca tive razão para me considerar diferente ou superior a ninguém. Preto, pobre, comunista, estudante, prostituta, tudo é gente que nem eu.
Agora, depois de velho, começo a desconfiar que tenho alguns preconceitos sim. Me flagrei me esquivando de duas filas nos caixas eletrônicos, porque tinha duas louras nestas filas. Pensei: aqui vai agarrar… Pra ser sincero, observando o andar da carruagem… melhor, da fila… vi que as duas filas agarraram mesmo… Nas louras!
Mas o danado mesmo tem sido editar as fotos que faço na rua para a coluna Paparazzi do Acontece. São fotos tiradas aleatoriamente, na rua, de pessoas, e publicadas, sem legenda, sem texto algum. O objetivo é nobre e simples: colocar no jornal pessoas que, pelo menos grande parte delas, nunca se veria num jornal.
No início eu peguei uma barra. O jornal saia e, quase todas as semanas, tinha ligações de gente brava, porque tinha sido fotografada na rua. Passado mais de um ano, a coluna caiu no gosto dos leitores (é a primeira página de qualquer leitor) e acabaram-se as reclamações.
A aceitação da coluna, no entanto, não foi um ato natural, decorrente do tempo só não. Eu tive que descobrir que as reclamações vinham basicamente de gente pobre e mulher feia. Hoje eu ainda tenho pavor de selecionar uma foto de alguém de um destes dois grupos. É encrenca na certa.
Quando eu diagnostiquei o problema, a solução foi natural. A partir da coluna seguinte entrei propositadamente com pessoas que também costumavam estar na coluna social, autoridades, gente importante flagradas fazendo coisas que qualquer pobre e mulher feia também faz, como andar na rua, ir ao supermercado etc.
A coluna que até então estava sendo considerada como coisa de pobre, ganhou importância.
O que ainda não achei solução é para mulher feia. Se faço a coluna só com gente feia, fica um horror. Quando entro com mulheres bonitas e gostosas, as feias ficam piores ainda.
Eu tenho aliviado minha consciência deste mal súbito, acreditando que o preconceito não está em mim. São as circunstâncias. Afinal, pra mim, mulher continua sendo mulher, feia ou bonita. Até porque, primeiro, mulher feia e mulher bonita, é sinônimo de mulher pobre e mulher rica. Segundo, porque a diferença entre mulher feia e mulher bonita, some depois da terceira dose.

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Fé em Deus

Já tendo passado dos 40 há muito tempo, sou absolutamente cético com qualquer coisa neste país. Há uma distância infinita entre o país rico, que já não deve um tostão ao FMI, da moeda forte que peita o dólar, das pessoas pobres e humildes que o estado está proporcionando três refeições por dia, e a realidade crua. A realidade crua, com a qual se depara quando se precisa encará-la para vê-la pelos próprios olhos e não pelos olhos das autoridades nos podereres.
Hoje eu pouco escrevo, porque não consigo. Não sei por onde começo, nem onde termino. Veja bem, nunca na história deste país minha cabeça esteve tão cheia, a ponto de não conseguir desentranhar os assuntos e picá-los para escrever por partes. Ou por capítulos.
Há cerca de 20 anos perdi uma irmã pela incompetência e negligência do sistema de saúde. Com uma pneumonia, estava internada no único hospital de Caeté. À noite, num final de semana ela passou mal. O médico de plantão não estava, não foi localizado. Ela precisava de um médico, uma punção, mas o médico provavelmente estava em alguma buteco, tomando a cervejinha com os amigos e falando de política -como o que estava de plantão gostava. Minha irmã sucumbiu diante da dor e da falta de assistência, dentro de um hospital
Ela, com 28 anos, deixou dois filhos pequenos. Um casal. A filha, agora já casada e com aquela mesma idade, teve problema na sua primeira gravidez. Ainda no início da gravidez, passou mal, sentia muita dor. Foi atendida no mesmo hospital que a mãe. Ela estava com um sangramento interno. Precisava de uma cirurgia imediata, mas precisava de um ultra-som. Foi para Sabará, depois para Belo Horizonte. De hospital em hospital, de clínica em clínica, sem poder ser atendida porque não estava agendada e as agendas estavam todas cheias.
Quem a acompanhava era a avó, que pedia em cada lugar, com a humildade sertaneja: “Minha filha, dá um jeito de atender a menina senão ela vai morrer. Eu vou pagar. Não tô pedindo pra fazer pelo Sus…”. A resposta era a mesma. Sem agenda, não tem jeito.
Em um hospital, no bairro Santa Efigênia, minha sobrinha já desabava. “Eu não aguento mais, me atende pelo amor de Deus!”, suplicava. Um médico que entrava, talvez iniciando sua jornada, viu a cena e pediu a assistente que mandasse subir com a menina imediatamente. Ela pôde ser atendida, fazer os exames e voltar a Caeté para ser submetida a uma cirurgia e extração de uma trompa.
No carro do marido, por todo o dia dirigindo e desesperado com a situação da mulher, corriam (ele, ela e a avó) o risco de um acidente na estrada, envolvendo outras vítimas que nem sabiam o que estava acontecendo.
No dia seguinte à cirurgia, um dos médicos da equipe que a operou, pediu que ela rezasse muito. “Foi Deus quem te salvou…”.
Minha mãe vai me contando o drama e eu ouvindo, com o olhar perdido longe, ouvindo e vendo Che Guevara em minha frente: “Se você é capaz de se indignar com uma injustiça cometida contra uma pessoa em qualquer lugar do mundo, então nós somos companheiros…”. A frase é recorrente na minha memória…
Che sumia e eu me via aos cinco anos, em Pitngui, quando minha mãe, viúva, me dava os trocados para tentar comprar um pouco de feijão. Eu rodava de armazém em armazém, com o dinheiro na mão e nenhum tinha o feijão…
Mentalmente vou caminhando pelos hospitais e vendo as pessoas sofrendo e muitas lamentando não ter dinheiro para não precisar da assistência do estado, ignorando que mesmo que elas pudessem pagar não teriam o atendimento adequado e ainda ficariam zeradas para, pelo menos, um sepultamento digno…
Vejam bem, nunca na história deste país tivemos tanta necessidade da atenção especial de Deus. Não se iludam.

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Fim do Estado

Há coisas que você sabe que existem, que acontecem no mundo inteiro, mas parece uma descoberta quando se dá conta de que é real, que é aquilo mesmo. Em 94 conheci o empresário José Alencar, então presidente da Fiemg. O acompanhei por um dia em Caeté. Ele inaugurava instalações do Sesi. Um pretexto para para a campanha política fora de época. Ele era um virtual candidato a governador.
Um cara tranquilo, sereno, atencioso. Parecia um destes políticos que não tem compromisso com nada e que passa as manhãs, dias, anos, enrolando, pedindo voto, sorrindo, carregando menino no braço, sem ter nada para fazer na vida. Até o pagamento é depositado na conta. Há uma centena de assessores para enrolar os outros eleitores que eventualmente procurarem por ele.
O Zé Alencar não. Era o dono de mais de uma centena de empresas, presidente da poderosa Fiemg e podia tirar um dia, uma semana, sem prejuízo dos seus negócios.
Eu ficava ouvindo o Zé e imaginando que eu, que não tinha nenhum CGC (hoje CNPJ), tava até com meu CPF cancelado sem me fazer falta alguma, um aspone, trabalhava 16 a 18 horas por dia e não conseguia tirar uma hora para cortar cabelo ou aparar as unhas.
E vejo o Zé Alencar, como vejo o Sílvio Santos, o Antônio Ermírio de Moraes, o Bill Gates, grandes executivos planetários que têm os maiores negócios do mundo e viajam, fazem palestras, participam de eventos, animam longos programas de auditório, escrevem artigos para jornais, fazem lobby, participam de lançamentos de produtos, mantêm contatos com a imprensa, dão entrevistas. E os negócios deles estão funcionando, crescendo, se desenvolvendo, incorporando novos produtos, novas empresas, novos mercados.
Eles não são vaidosos, nem relapsos. Têm equipes, assessores, sistemas administrativos, financeiros e contábeis seguros em seus empreendimentos. É legal ver um Bradesco, com sei-la-quantas agências espalhadas pelo país, em lugares que nem existem no mapa, mas que funcionam e estão sob controle do “sistema”. Lá dentro tem um monte de dinheiro, contas de dezenas, centenas, milhares de correntistas, além de empréstimos, financiamentos. Atrás da mesa, muitas vezes, um gerente com cara de bocó que sabe fazer duas continhas de matemática financeira: de juros simples nas contas a pagar e de juros compostos nas contas a receber. E o Banco, a Instituição, cresce, acumula lucros, bate o exercício anterior, amplia, expande. O sistema controla…
São sistemas, hoje, informatizados e alimentados por pessoas, profissionais, empregados selecionados, treinados e enquadrados dentro de uma cultura institucional que inclui o uniforme, a linguagem, o incentivo, a lealdade.
Nada muito diferente de uma Escola de Samba. Imagine a administração de uma escola de samba, a diversidade de profissionais envolvidos, do nível básico a pós-graduado, da costureira aos arquitetos e autores dos efeitos especiais; as estrelas envolvidas, a parafernália e alas a serem postas disciplinadamente na avenida, sambando ao ritmo do samba, na ponta do cronômetro…
Eu fico pensando nisto tudo e olhando no jornal qual foi a última grandiosa empresa que quebrou por falha no sistema. Não vejo mais do que novos nomes surgindo no mercado, competindo, um novo Sol tentando brilhar sobre a Antártica e por aí a fora.
Mas tudo isto eu entendo perfeitamente. Desde as grandes organizações fincadas sobre administração profissional que surgiram, muitas vezes, antes das faculdades de administração quando administrar era, no cerne, só o que continua sendo: bom senso. Claro, se profissional, tem também alguns instrumentos auxiliares com um método DuPont ou um conceitozinho sofisticado como marketing, mídia, 5S e outras coisas absolutamente dispensáveis mas que se aplicados ajudam.
Há organizações maiores que qualquer qualquer estado ou empresa que cresceram e acumularam riquezas, com uma rede planetária eficiente, centenas de anos antes de qualquer conceito de administração. Como a Igreja Católica que nasceu naquele diálogo de Jesus Cristo com Pedro, o Pescador.
Aliás, quando vi o 5S pela primeira vez e alguém querendo me convencer que ele foi importado do Japão, olhei desconfiado… Juraria por minha mãe que aquilo tinha sido inventado pela minha mãe ou pela minha mulher… Qualquer dona de casa aplica aquilo sem nunca ter ouvido falar naquilo…
Bão… Agora o que eu não entendo e nunca vou entender é porque um Estado -como o brasileiro, por exemplo, é tão complicado, tão burocrático, tão caro, tão dispendioso, cheio de furos, furtos, corrupção e que se perpetua assim tão descaradamente, sem nenhum controle, alimentado diariamente, hora a hora, segundo a segundo, por cada cidadão comum, trabalhador, empresário, que parecem, todos, esconder uma cumplicidade, uma conivência covarde com esta ineficiência e roubalheira.
Já não é hora de mudar isto? Organizar esta bagunça e criar um estado, como uma organização profissional, que administre este grande condomínio, arrecadando o que é devido por cada um e aplicando racionalmente no interesse comum, inclusive na remuneração dos responsáveis por esta administração?
Por quê há tanto interesse em defender o Estado da forma como ele está (des)organizado? Claro, qualquer cidadão comum teria a resposta na ponta da língua: para facilitar a corrupção, o descalabro, a sustentação de milhares de políticos ativos (o que não quer dizer trabalhando, mas ocupando um cargo eletivo), outros milhares inativos (literalmente) mas que comparecem nas folhas de pagamentos. Uma fatura e uma farra que como se vê a cada dia nos jornais se estendem por todos os poderes e aparelhos de estado. Hoje não há mais nada isento no país, com protagonistas de atos de corrupção, desvios, no Executivo, Legislativo, Judiciário, polícias… E a marginalidade, fora da sustentação legal, cresce e é incentivada pela impunidade das autoridades pagas para não permitir que ele tivesse crescido e, tendo crescido, tomar as providências cabíveis.
É preciso acabar com a demagogia e o cinismo e “privatizar” o Estado. Pelo menos no conceito de administração, de ser o síndico que administra os recursos, os interesses e as soluções para as necessidades do país e da nação. Romper de vez com a imbecilidade de que existe um conceito de administração para gerir os bens públicos e outro conceito para os negócios privados, como se em um e em outro caso, os limites não estivessem nos recursos escassos, na eficiência no atendimento das necessidades dos consumidores (ou contribuintes) e na eficácia da gerência dos recursos disponíveis.
O primeiro passo, claro, seria enxugar o Estado, com duas vantagens diretas e imediatas (suficientes também para oposição política instantânea): o Estado ficaria mais barato e com menos recursos sociais a serem desperdiçados, e os serviços desmembrados atenderiam melhor a sociedade. Como aconteceu com a telefonia, por exemplo. Imagine hoje, nós suportando as telefônicas estatais funcionando com a “eficiência” de empresas estatais como Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal?
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Carnaval e futebol

Até que eu queria tirar uma folga esta tarde. Fui pra frente da televisão, onde consegui ficar dez minutos, se tanto! Estava “vendo” o Caldeirão do Huck, cochilando. Ele anuncia a eleição da Musa do Carnaval. Começa apresentando os jurados. Um atror, três estilista e uma jornalista de modas. Entra a primeira candidata e vejo que ela está fantasiada mesmo. É carnaval mesmo. E ninguém no júri que entende de carnaval. Saio da sala e venho trabalhar que é melhor.
Na televisão aberta, estou voltando a ficar viciado em futebol. É a única coisa que dá pra ver (pra ouvir eu costumo ligar o rádio, porque é duro ouvir os locutores-radialistas-da-televisão. Gente, até o Luciano do Vale. Volta a ver uma transmissão do Luciano depois de alguns anos. Eu parei de acompanhar ele, e o padrão dele caiu pacas. Parece que ele fica ligado no marketing e é o que menos vê o jogo. Nem estou dizendo do acompanhando do jogo que cada time está desenvolvendo, mas ver o lance mesmo.
Porque eu te dizer que agora estou me limitando a ver futebol, você pode me chamar de alienado. E estou levando uma boa tendência para isso, para a alienação. Cansei. Mas se você acompanhar o tratamento das notícias do futebol na TV, você vai entender um pouco do Brasil e do comportamento da imprensa. O bairrismo, as análises tendenciosas…
Hoje vi uma chamada do jornal de esportes da Record. Na falta de notícias, quando estão rolando só os campeonatos regionais, o prato ainda é a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Como na televisão a imagem e movimento são sempre importante, a chamada vem acompanhada. De quê? Do lance do jogador que perdeu o pênalti e que é do São Paulo… Não era pra estar lá a imagem do jogador do Cruzeiro (eu sou Galo….) que converteu o último pênalti e correu para o abraço do título?!
Tá bem… Perder o pênalti foi o inusitado. Os “meninos” deram uma aula de cobrança de pênaltis. Dez cobranças, todas convertidas.
Fora o bairrismo e as análises tendenciosas, a gente fica com a impressão de que a maior parte do pessoa que atua no jornalismo esportivo é também empresário de jogador. Hoje os contraventores, empresas, técnicos, jornalistas, todo mundo compra “ação” de jogador. Quando o cara é vendido, o rateio é violento….
Esta impressão me fica ao acompanhar o Brasil no Sub-20, transmitido pela Band. Putz… Só tem Alexandre Pato na seleção. Ele vai ajudar a defesa e tira uma boa…. Meia hora depois o Tchô faz um gol e o mérito é do Pato, que começou a jogada na bola que ele tirou meia hora atrás. Teve um lance genial do lateral do Brasil que ficou como sendo o Pato, embora tivesse sido reprisado umas três vezes. Ninguém corrigiu. Claro, um lance daquele só poderia ser do Pato, de mais ninguém. Ninguém, na verdade, merece…
Mas vale um parêntese honroso. Os comentaristas de árbitros, sempre ex-juízes, dão uma aula. Embora a locução fique cada vez pior, parece que a cada dia mais locutor de rádio vai transmitir jogo na televisão, as avaliações de arbitragens evoluem. Há algum tempo, ficava-se sempre a impressão de que o corporativismo dominava. Parecia chato um ex-árbitro criticando árbitro. Hoje as análises são mais soltas, mais fiéis. Parece que os comentaristas se deram conta que eles estão ali falando para milhões de torcedores que estão vendo o jogo e a tentativa de se desculpar pelo árbitro pelos erros cometidos em campo torna o comentarista ridículo -uma preocupação que os locutores não têm.
Acho genial o comentarista de árbitro reconhecer um erro dele próprio. Márcio Rezende (na Globo Minas) domingo teve esta grandeza. Ao rever um lance que ele acabara de comentar, retirou o comentário que fez. “Não, errei”, consertou ele. Uma postura que não é rara nos comentaristas de árbitros.
Os comentaristas de árbitros não escondem o óbvio: que eles têm uma condição privilegiada em relação ao árbitro que está em campo. O lance pode ser revisto, de vários ângulos. O juiz, por sua vez, decide sumariamente pelo que ele “viu” -da distância e posição que ele está, em relação à ocorrência.
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Turistas no País das Maravilhas

Já revelei num post anterior minha paixão por Juliana Paes. Mas meu coração anda dividido. A Galisteu, confesso que teve que caminhar muito para me conquistar. Eu a via no princípio, só como mais uma oportunista, em busca de ascendência a qualquer preço.
Aos poucos eu fui vendo nela uma pessoa que se esforça para fazer o melhor e que tem valor, tem méritos e batalha para conquistar as oportunidades que recebe. Agora, neste lance da foto sem calcinha, um fato que vai perdendo o rótulo de inusitado, ela me fisgou de vez.
Ao contrário de outras celebridades que culpam o paparazzi como se ele fosse um estuprador que anda tirando as calcinhas das mulheres para fazer fotos, Galisteu parabenizou o fotógrafo pelo seu oportunismo. Disse que se fosse ele, faria o mesmo. E revelou que levou um pito justo da mãe, pelo descuido. Ponto.
Quem tem que cuidar da imagem da celebridade, do político, do país, de qualquer pessoa, é ela(e) própria(o) -e às vezes nem depende dela, mas acontece, como ocorreu com a foto da Juliana Paes que trabalhava e foi vítima de um deslize, de um “acidente de trabalho” (dançando, o vestido subiu e a ausência da calcinha foi registrada).
O que sai na mídia, rola nas novelas, agride nos telejornais, são as imagens ou o reflexo da sociedade, do seu comportamento. Aconteceu, virou manchete!. Se não for assim, se houve uma invasão de privacidade, se houve uma armação de alguém com o objetivo de ganhar ou unicamente para prejudicar a pessoa ou instituição prejudicada, então virou crime.
Mas as reações idiotas como a da Cicarelli, são a regra geral onde a cultura é pobre, de um lado, e a ganância e vontade de aparecer é grande, de outro lado. Há que se considerar os “flagrantes” plantados, os “barracos” encenados, só para ganhar espaço na mídia. Como também o marketing para fazer o público digerir “celebridades” mau embaladas, como a bonitinha Grazi Massafera ou Juliana Silveira (Floribela).
É neste mesmo tipo de exagero, à la Cicarelli, que vejo, por exemplo, a reação das autoridades brasileiras e um segmento da mídia, ao filme Turistas, rodado no Brasil e que estréia nos EUA.
O que se ouve e se teme nas ruas, o que se suspeita cá entre nós que não temos como provar que isto aconteça, como também ninguém pode nos provar que não aconteça, é muito sobre a violência, sequestro de pessoas, para retirada e venda de órgãos, comércio ilegal de tráfico de órgãos. Muitas das pessoas desaparecidas, incluindo crianças, poderiam ter sido vítimas deste suposto comércio ilegal de órgãos..
Faz já algum tempo que ouvi uma história de um empregado de um hipermercado de Belo Horizonte. Ele chegara a Caeté (onde mora) após o serviço, agitado com o clímax do fato que ele disse que acontecera. Uma criança de sete anos desapareceu enquanto os pais faziam compras. Pra encurtar a história, a criança apareceu próximo ao próprio hipermercado, dois dias depois, frágil com as marcas de uma evidente cirurgia. Pelo menos pode ter voltado sem um rim, mas voltou…
Talvez seja mentira para denegrir a imagem do país. O cara deve ser só um fabuloso contador de história, montando o esqueleto de um livro, quem sabe um filme…
Os paparazzi não prejudicaram de forma alguma a imagem de Juliana Paes ou de Adriana Galisteu, que são pessoas que têm um conceito e as circunstâncias não evidenciam mais que um descuido acidental que fez a alegria dos marmanjos.
Já o filme Turistas pode prejudicar (mais) a imagem do Brasil. O país é corrupto, mostra a relação incestuosa entre autoridades e a contravenção e não é sério o suficiente para se duvidar até que a história do filme tenha se baseado em fatos reais.
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Minguado

Praticamente definidos os rebaixamentos da série A do Campeonato Brasileiro, a competição traz mudanças regionais importantes para a temporada de 2007. O grande perdedor, em nível regional, é São Paulo, que vê o Guarani caindo para a terceira divisão; a Ponte e São Caetano caindo para a série B; sem subir ninguém.
O estado de São Paulo passa a ficar com quatro clubes no Brasileirão -número idêntico ao do Rio. Uma derrota imposta claramente pelo Atlético Mineiro que “apadrinhou” a subida do América (RN), barrando a possibilidade do Paulista, na rodada de ontem.
O Paulista pagou pela arrogância da imprensa paulista que um dia disse que o campeonato brasileiro era paulista, atrai uma certa antipatia mineira em relação ao futebol daquele estado. A imprensa mineira vibrou com a estratégia do Atlético de se satisfazer com dois gols para levantar a massa na festa e depois se aquietar em campo e ceder o empate.
No balanço regional, ganhou o Nordeste que perdeu o Fortaleza e Santa Cruz, mas fez retornar o Náutico, Sport e América. Imagine se o Santa Cruz e o Fortaleza tivessem aguentado o tranco e se sustentado na série A?
No fim das contas, a torcida do Coritiba ganhou o direito de sonhar com a volta à série A. O time ficou forte na série B que ficou livre de concorrentes fortes como Atlético, Sport e Náutico e nenhum grande vai estar lá para disputar uma vaga em 2007, já que Palmeiras e Fluminense se safaram da queda na última hora.
O prejuízo maior para São Paulo, está sendo amargado pela torcida campineira que vê o campeão brasileiro Guarani cair para a C e a Ponte despencar para a B.
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Eu, heim!!!

Como o leitor pode perceber minha presença no blog tem sido ocasional. Não é falta de tempo. Isto a gente sempre arranja. Até porque, quando começo a escrever o texto já está pronto. É só questão de materializá-lo.
Também não é falta de assunto. Ao contrário. O excesso de bobagens que vejo (pelo menos do meu ponto de vista), transborda. Eu quero escrever e não consigo mais selecionar os assuntos, priorizar temas. Estou mais ou menos como um ET que acabou de chegar e não está entendendo nada.
O IPEA anunciou logo após a eleição que a capacidade instalada de geração de energia elétrica no Brasil não permite o país crescer mais que 3% ao ano. O governo, em campanha por reeleição, embromava que o país tinha sido preparado para crescer. Estávamos com um dos menores crescimentos da América Latina e do mundo, as medidas tomadas pelo governo nos últimos quatro anos (já que antes do governo do Lula o Brasil não existia…), era para colocar o país exatamente neste caminho.
Ontem o Ministério do Planejamento revisou a meta de crescimento para este ano, baixando-a de 4% para 3,2%, o que ainda é visto com ceticismo pelo mercado. Lula desdenhou a nova previsão, afirmando que preferia esperar as coisas acontecerem. Pô, Lula vai reverter esta taxa a um mês do final do ano.
O Brasil anda sendo feito de muita conversa. E conversa, blá-blá-blá, não gera riqueza.
Eu sou filho de negro, tenho sangue negro nas veias e cabelo ruim (aliás, até que já melhorou bem). Meu filho, quando ainda no colo, adorava alisar com os dedinhos o próprio cabelo pra dormir. Às vezes, ele enrolava o cabelo da mãe dele. O meu, ele recusava ou o pegava para me gozar: “ipeta” (traduzindo: “espeta”). Aliás, meu filho está mais para arianodescendente do que para afrodescentente, mas eu o chamava por esta época de “meu preto”.
Nasci pelado, sem dente, careca, meio preto, pobre. Dei duro a vida inteira para sobreviver. Meu primeiro coleguinha de escola, lá em Pitangui, era preto e filho de uma negra que os rapazes da vizinhança pegavam. Ou seja, era prostituta. Eu tinha seis anos, mas não era bobo. No quarto ano do fundamental, naquelas carteiras escolares que se sentavam dois alunos em cada uma, meu companheiro era um menino preto e homossexual (o que era meio raro por aqueles tempos e extremamente discriminado).
Na faculdade, chorei o dia que uma colega que eu aprendi a gostar em poucos meses, abandonou o curso ainda no primeiro ano. Eu era o único aluno que conversava com ela, que era “massagista” e discriminada pela turma. Nossa despedida foi no último dia que ele foi à faculdade, exclusivamente para levar o convite de casamento dela só para mim. Eu chorei, ela chorou, nos despedimos e nunca mais a vi. Mas nunca esqueci aquele gesto de carinho de que, raras vezes, fui alvo.
Não sei o que é discriminar.
Vejo discriminação por todos os lados. Pessoas que são feias, são pobres, são deficientes e até por serem negras. Agora tem a Constituição que proíbe a discriminação, com prisão sem direito a fiança. Se você chamar um negro de negro, é crime. Gozado é que se você chamar alguém de “loura” (que agora virou sinônimo de burra, não é considerado discriminação)… Você pode virar a cara pra ela na rua, mas não pode chamá-la de negra, como ela de fato o é. No máximo deve citar que ela é afro-descendente.
É por isso que eu chamo meu amigo Nelson, uma pessoa que eu gosto pra caramba, de “meu amigo branquinho”. Pra quem está perto e estranha, eu explico “Num é não, mas se eu chamar de pretinho pode dar problema…”.
Discriminação pra mim está no sentimento e nas atitudes que são tomadas em relação às pessoas -seja porque são negras, ou pobres, ou feias, ou deficientes, ou homossexuais, ou prostitutas… Eu tenho dó é da sociedade que não sabe respeitar as diferenças.
O governo, por exemplo, criou o sistema de quotas para negros nas universidades. Aí eu fico pensando cá com meus desbotados botões: o governo vai garantir lugar para eles no mercado de trabalho depois de formados?
Como o Brasil tem cultura de resolver problemas por decreto, pode ser que mais um dos milhares de decretos seja assinado pelo Exmo. Sr. Presidente da República declarando extinta a discriminação no Brasil. Afinal, ninguém chama mais o negro de negro.
Mas o branco (e as louras -por que não os louros?) continua vendo-o só como um negro.
Olha aí, a Megasena está acumulada: a previsão de prêmio para o teste de hoje é de algo em torno de R$ 18 milhões! Eu não apostei porque hoje, sábado, as duas casas lotéricas que existe na minha região, que significa mais da metade da cidade e o centro comercial dela, estava fechadas, sem qualquer justificativa…
Mas digamos que seja você o feliz ganhador. Você já imaginou o que fazer com R$ 18 milhões na sua vida? Na Caderneta de Poupança, sem risco, dá R$ 90 mil de JUROS por mês. Dá para gastar R$ 3.000 por dia! Se você não dormir, pode gastar R$ 125 por hora, durante 24 horas por dia, pelo resto da vida, sem danos no patrimônio -se, também, claro, você confia nos índices de correção do governo. Prá nóis que é pobre, é dinheiro pra cacete!
Pois o último(?) escândalo político no país, envolvendo agora o advogado e deputado federal eleito pelo PT/MG, Juvenil Alves, segundo estimativas da Receita Federal, teria resultado em prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, em esquema de sonegação fiscal e evasão de divisas por meio de offshores, principalmente no Uruguai e na Espanha.
Pois é só mais um dos pequenos escândalos que chegaram ao conhecimento do público nos últimos dois anos, envolvendo ministros, secretários, deputados, políticos e outros agentes íntimos do poder, tão pequenos que passam despercebidos até para o presidente da República que nunca soube de nada, mesmo nos casos que nasciam nas salas ao lado da sua.
O último escândalo, do advogado e deputado eleito, é o equivalente ao 55 megasenas daquela citada acima. Veja que é o correspondente a um prêmio idêntico ao da megasena acumulado pago por semana, durante um ano, com direito a um prêmio extra, como 13º salário.
Repisando, este é só o valor do último escândalo político-financeiro do país – R$ 1 bi. Somos ou não somos o país mais rico do mundo!
Sabe de uma coisa!?
Gaaaaallllllôôôôô!!!!!!!!!!
Aliás, o governador Aécio Neves tem um problemão nas mãos. O estado pode perder o Atlético Mineiro a qualquer momento. Afinal, o time não cabe mais no Brasil!
Ainda bem que o campeonato acabou. Nos últimos meses, a movimentação da torcida provocou o caos no espaço aéreo brasileiro, congestionamentos em Belo Horizonte e por fim deixou claro que o Mineirão é pequeno para a torcida!. Hoje, num simples jogo contra o América (RN), que nem valia mais nada para o Atlético, precisou abrir os estádios Mineirão e Independência. Mesmo com a Fifa se recusando a autorizar que o jogo fosse dividido com um tempo jogado em cada campo, de cada estádio!
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Bica eles, Galo!

Sábado eu voltei ao Mineirão, depois de 30 anos de ausência. Vibrei com o que vi, antes mesmo dos 4×1 do Atlético sobre o Avai, com uma festa fantástica da torcida.
O Mineirão que deixei lá atrás, pelos 1976, era o das gerais com todo mundo em pé, onde mal conseguia se mexer com um público idêntico ao de sábado: mais de 57 mil pagantes. A gente brincava que se alguém morresse durante uma partida, só caia depois que terminasse o jogo e a torcida começasse a sair.
Vi sábado um outro Mineirão, com as cadeirinhas, o que evita aquela embolação. Entendi porque o estádio que cabia 130 mil torcedores, agora só cabe 60 mil.
Venci a resistência de voltar ao Mineirão sábado porque sabia que o estádio seria ocupado só pela torcida do Atlético. Portanto, não haveria motivo para confusão e eu não teria maiores transtornos na minha reestréia. Se for pra enfrentar confusão, transtornos injustificáveis, ter que sair trombando pra achar um lugar, prefiro mesmo ficar em casa.
Gostei do que vi, em relação ao que já sofri. Nenhum transtorno para entrar no estádio, confortável o suficiente para um estádio de futebol. Nos bares, no intervalo, a grande fila no caixa, mas rápida. O atendimento imediato. Em outra ocasião, há 30 anos, eu custava chegar ao caixa e um dia voltei com a ficha no bolso sem a mercadoria (provavelmente uma cerveja!), pra não perder o jogo.
Está certo que sábado era um jogo só do Atlético, sem torcida adversária. Mas foi um jogo de 57 mil torcedores -o maior de todas as séries deste ano até este momento!
Pô, não se justificam as brigas e confusões que se vê pelos estádios no país. É gostoso estar num estádio numa tarde/ noite, com crianças, torcendo, se divertindo. É uma verdadeira terapia -maior ainda quando seu time ganha de quatro e você pode sair descarregando os pulmões. Vamo subi Galoooo!!!!!
Me senti melhor no Mineirão que no parquinho na praça do poliesportivo em Caeté onde marmanjos e adultos já estão invadindo e quebrando os brinquedos 10 dias depois de ter sido inaugurado…
Agora, independente de bandeira, é bonito o que está acontecendo com o Atlético e só poderia mesmo acontecer com o time despencando para a segundona. É fantástico ver a ligação, a empatia, que existe entre a torcida e o time.
Não gosto de usar este termo porque não tenho convicção de que isto aconteça, mas parece que há uma força, uma energia da torcida carregando o time. Não dá para ser mole diante de 57 mil pares de olhos.
Quero, claro, o Atlético na primeirona que é o lugar dele. Mas já custo a esperar o ano que vem para ver mantido este elo da torcida com o time como um “arrastão energético” para cima duns timinhos fuleiros que têm por aí…
Bica eles, Galo!!!!
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Meu povo!

Ontem eu parei três minutos à frente da TV, para ver o quadro do Fantástico “Ser ou Não Ser”, com cenas das manifestações pós-64 e as histórias das atrocidades sofridas por manifestantes.
Eu sei que o que vi e vivi estão muito aquém do que os aparelhos de segurança do estado eram capaz. Num depoimento de ontem, por exemplo, eu pude me indignar mais outra dose, com a história das crianças levadas à cela para ver a mãe torturada, ensanguentada, irreconhecível para o menino (depoimento dele).
Muitos anos se passaram desde aqueles dias negros em que a gente acreditava que poderia mudar este país. Queríamos uma pátria livre e independente, soberania, democracia, liberdade, justiça social, respeito. Coisas assim, tão pequenas e naturais.
Olho aqueles dias e vejo que a mim não caberia os rótulos convencionais. Eu não aceitava a ditadura milica da direita, como não via nada de interessante na ditadura igualmente milica da esquerda, como no comunismo russo, que eram, pra mim, tudo a mesma coisa.
O que abominava e continuo abominando nos dias de hoje, são a prepotência, a censura, a intolerância, a incapacidade do respeito às diferenças e ao livre arbítrio de cada um.
A corrupção que ainda corre nos dias atuais e a impunidade têm o dom de me irritar, de me tornar indignado, embora já tenha perdido a capacidade de sonhar com pais sério, que tenha uma administração da qual se possa orgulhar. Um país soberano, em desenvolvimento (não só em crescimento), com um povo crítico, capaz de cobrar e fazer valer seus direitos. De empurrar o país pra frente, como uma torcida entusiasmada que carrega o time.
Por aqueles dias éramos movidos pelo sentimento de que o povo era um coitadinho. Os aparelhos de TV estavam fora do alcance da maioria das pessoas, as informações eram filtradas e censuradas, havia uma taxa alarmante de analfabetos. O povo precisava ser alertado, ser informado, saber o que estava acontecendo, de alguma forma… Um povo informado, acreditávamos, seria um povo crítico, politizado e mobilizado.
Hoje ainda fico triste ao lembrar o sofrimento daqueles dias. Mas perdi a capacidade de sonhar. Temos tudo o que não tínhamos naqueles dias: informação farta, ensino superior virou ensino básico, a taxa de analfabetismo é muito menor, a censura oficial está mais amena embora igualmente irritante…
Mas o povo continua o mesmo… A corrupção rola solta, as provas dos crimes estão disponíveis em imagens e sons… Mas o povo revela sua covarde e silenciosa conivência… É uma tortura que dói tanto quanto a do pau-de-arara…
Vai se eternizando a pergunta de Francelino Pereira naquela mesma época: “Que país é este?!” Só quero acreditar que nenhuma pergunta fica sem resposta…
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